quinta-feira, 26 de outubro de 2017

IV CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE SEGURANÇA NO TRÂNSITO E FORMAÇÃO DE CONDUTORES

Para participar do Congresso Clique aqui.


O IV Congresso Latino-Americano de segurança no trânsito, organizado pela Associação Latino-Americana de Treinamento e Engenharia "ALACI", será realizado no Brasil em Maio de 2018.

O objetivo é oferecer as melhores propostas que visam reduzir a mortalidade e morbidade causadas por acidentes de trânsito.

Nossa missão é trabalhar a partir do conhecimento acadêmico, coletando as diferentes experiências de países latino-americanos, sem tentar aplicar fórmulas gerais como se o problema fosse idêntico e causal.

Nosso objetivo é estudar e discutir para entender a amplitude dos diferentes fenômenos culturais associados à via pública, como protagonistas deste fenômeno e não como meros espectadores.

Viver e aprender em nosso continente a partir de nossas experiências e formação acadêmica, sem dúvida, nos permitirá projetar linhas de planos de ação, programas e políticas públicas que sirvam como soluções reais para problemas relacionados à violência no trânsito.  


Datas importantes
14/09/2017 – Início Submissão de Trabalhos Técnicos.
30/11/2017 – Prazo final para envio do resumo do trabalho.
20/01/2018 – Resultado da seleção dos trabalhos aceitos.
30/01/2018 – Prazo final para autores selecionados se inscreverem no evento para garantia da publicação do trabalho.
30/03/2018 – Envio das instruções gerais para apresentação dos trabalhos.
10/04/2018 – Prazo final para o envio do PPT das Apresentações Orais.
17/05/2018 18/05/2018 – IV Congresso Latino-americano de Segurança no Trânsito e Formação de Condutores.
Para participar do Congresso Clique aqui.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Metodologia de avaliação de materiais didáticos relacionados ao tema trânsito no ensino fundamental

Artigo Publicado na Revista Médica de Minas Gerais - ano 2016. Volume 26 (Supl 8): S223-S228.

Roberta Torres Lima 1, Fernando Madalena Volpe 1

RESUMO

Introdução: a alta morbimortalidade por acidentes de transporte terrestre constitui grave problema de saúde pública em nível nacional. A educação para o trânsito é um dos pilares do enfrentamento dessa realidade. Nesse contexto, as ações educativas devem possuir metodologias de aplicação capazes de se adequar às diferentes faixas etárias. Objetivos: estabelecer uma metodologia de apreciação de materiais didáticos com o tema trânsito a serem distribuídos entre alunos do ensino fundamental, que possa ser utilizada por gestores e técnicos avaliadores dos órgãos do Sistema Nacional do Trânsito. Métodos: dois eixos e suas dimensões foram criados como parte do processo avaliativo dos materiais didáticos: Fundamentos Ideológicos e Legais - educação para a cidadania; práticas em ambiente real; reflexão sobre diferentes posições no trânsito; alinhamento à legislação relacionada à educação para o trânsito; segurança no trânsito; ensino fundamental com duração de nove anos; e socialização do conhecimento; Fundamentos Científico -Pedagógicos - alinhamento com os quatro pilares da educação; conceito de educação ao longo da vida; transversalidade. Resultados: a dimensão conceitual de trânsito como direito de todos reforça a importância da utilização da transversalidade do tema nas disciplinas tradicionais do currículo escolar. O material didático deve considerar as fases de desenvolvimento do aluno de forma que eles se percebam como agentes transformadores do espaço onde vivem. Conclusões: a iniciativa de efetivar o trânsito como tema transversal muitas vezes é dispensada pelas escolas. Assim, a proposta de avaliação dos materiais didáticos específicos pretende instrumentalizar órgãos responsáveis com um método prático de apreciação e comparação dos materiais a serem adotados.

Palavras-chave: Acidentes de Trânsito; Aprendizagem; Políticas de Saúde Pública; Prevenção & Controle; Educação.


1 Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Medicina, Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência. Belo Horizonte, MG – Brasil.


terça-feira, 18 de abril de 2017

SIMULADOR DE DIREÇÃO VEICULAR NO BRASIL: FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E PEDAGÓGICA


Driving Simulator Vehicular in Brazil: Theoretical and Pedagogical Foundation

Roberta Torres1
Fernando Madalena Volpe2

Artigo submetido à Revista Transportes ISSN: 2237-1346 em 30 de junho de 2017.

Resumo aprovado e apresentado no 2º Congresso Brasileiro da Associação Nacional dos DETRANs. Salvador 26 e 27 de abril de 2017. Submetido em: 20/12/2016. Aprovado em 22/03/2017.

1 Mestre em Promoção da Saúde e Prevenção da Violência. Faculdade de Medicina. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Belo Horizonte, MG - Brasil.

2 Médico. Doutor em Psiquiatria e Psicologia Médica. Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais – FHEMIG. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Belo Horizonte, MG - Brasil.


Resumo
Introdução: Um Simulador de Direção Veicular (SDV) é um equipamento com características parecidas com a de um veículo pelo qual o condutor controla e conduz o movimento através de cenários projetados em telas à sua frente por meio de softwares específicos e o seu grau de complexidade está ligado aos objetivos propostos pelo estudo ou treinamento. Objetivo: Apresentar a fundamentação teórica e pedagógica da utilização do simulador de direção no processo de formação de condutores no Brasil. Materiais e Métodos: Pesquisa bibliográfica, baseada em uma revisão integrativa da literatura e da legislação específica, pertinentes à utilização da simulação como procedimento didático-pedagógico para os alunos em processo de formação de condutores. Resultados e Discussão: O tema fundamenta-se pedagogicamente nas teorias da aprendizagem de Piaget e Vygotsky e está em consonância com a estrutura da Matriz Europeia GDE que descreve a tarefa da condução em quatro níveis hierárquicos. Também encontra sustentação teórica em diversos estudos internacionais realizados desde a década de 1920 que apontam a simulação como uma alternativa para a exposição dos alunos às situações de tráfego de forma repetitiva, controlada, sem oferecer riscos, aprimorando as aptidões dos alunos antes de irem para a prática de direção no veículo. Conclusão: Embora estudos demonstrem resultados positivos sobre a validade do simulador em treinamentos de condutores e sua fundamentação teórica e pedagógica estejam claras e a legislação incisivamente estabelecida, as reflexões em torno desses fundamentos ainda são recentes no Brasil e carecem maior atenção para o alcance dos objetivos esperados.

Palavras-chave: Simulador de direção; Realidade Virtual; Formação de condutores; Segurança no trânsito; Habilitação.









quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

4 Canais no YouTube que irão te ajudar a tirar a carteira de motorista


Você está tirando a carteira de motorista e precisa de uma ajudinha no processo? Separei 4 canais no Youtube que irão te auxiliar durante esse percurso. Mas lembre-se: dedicação e esforço devem ser a base para essa etapa tão importante na sua vida. Sucesso!


LegTransito


Para mim, o rei do Youtube. Maior canal sobre Legislação de Trânsito no Brasil, o Ronaldo Cardoso e a Fabi conseguem abordar de uma maneira simples e bem prática, temas complicados sobre as leis de trânsito, auxiliando bastante os aspirantes à Carteira Nacional de Habilitação.
Canal do Youtube: Legtransito                                    

Programa Observar
O Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) é uma organização não governamental sem fins lucrativos. Em seu canal no Youtube você verá vídeos do Programa Observar que trazem dicas de segurança no trânsito que, com certeza irão auxiliar bastante as aulas de direção defensiva.

Canal no Youtube: Programa Observar



Márcia Pontes

A Márcia Pontes é muito conhecida pelos seus vídeos que auxiliam os alunos habilitados que têm medo de dirigir. Para quem está tirando a carteira, suas dicas ajudam bastante nas aulas práticas de direção.
Canal do Youtube: Márcia Pontes





Autoescola Belvedere
Obviamente eu não poderia deixar de citar o novo canal da autoescola Belvedere. Despretensioso e simples, o canal traz dicas sobre os procedimentos do dia a dia da autoescola e algumas informações sobre como funcionam os procedimentos para quem está tirando a carteira de motorista.
Canal do Youtube: Autoescola Belvedere


E você, conhece mais algum canal do Youtube que deveria estar nesta lista? Comente aqui!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A educação para o trânsito como tema transversal: fundamentação pedagógica, ideológica e legal


Iniciar precocemente a preparação dos indivíduos para o enfrentamento dos riscos de um sistema inseguro – o trânsito – traz, potencialmente, benefícios imediatos e acumulados ao longo da vida. Quanto antes forem oferecidas informações sobre os meios seguros de utilização do espaço que acontece no trânsito, mais cedo as crianças estarão preparadas para um sistema que ainda é imperfeito e por isso, perigoso.

Para a Organization for Economic Co-operation and Development (OECD), no entanto, a percepção que pedestres e ciclistas, em especial as crianças ​​têm da sua própria segurança, é melhorada através da educação. Então, seria preciso ensinar as crianças a se movimentar com segurança e desenvolver habilidades para um deslocamento mais seguro.









segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Visão Zero: é possível zerar as mortes no trânsito


Visão Zero é um conceito de segurança viária originado na Suécia e que pode ser resumido na seguinte premissa: nenhuma vida perdida no trânsito é aceitável. A abordagem é baseada no fato de que pessoas cometem erros – e esses erros podem ser prevenidos a partir de medidas de segurança como alterações no desenho viário e redução dos limites de velocidade. Em outras palavras, sistemas de segurança viária devem ser desenvolvidos considerando as falhas humanas. O programa gerou resultados notáveis: desde que adotou a Visão Zero, a Suécia registra uma das mais baixas taxas de mortalidade no trânsito do mundo (apenas 3 em cada 100 mil habitantes).  Além disso, as fatalidades envolvendo pedestres caíram quase pela metade nos últimos cinco anos naquele país.
A realidade encontrada na Suécia, infelizmente, não é a mesma vista em tantos outros países. No mundo todo, 1,25 milhão de pessoas morrem a cada ano em acidentes de trânsito e em torno de 50 milhões ficam gravemente feridas. Os acidentes são a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e, em muitos países, estima-se que consumam de 2% a 5% do PIB.
Em diversas partes do mundo, convive-se com a descrença em relação à possibilidade de replicar as práticas adotadas em países como a Suécia e obter o mesmo sucesso. Recentemente, porém, grupo de mais de 30 especialistas de 24 países publicou um estudo que comprova não só a eficácia, mas a viabilidade da abordagem sueca: a Visão Zero não é uma utopia, e é possível, sim, atingir a marca de nenhuma morte em acidentes de trânsito. Intitulada Zero Deaths and Serious Injuries – Leading a Paradigm Shift to a Safe System (em tradução livre, “Nenhuma morte ou ferimento grave – encaminhando a mudança para um sistema seguro”), a pesquisa apresenta a governos e administrações, empresas e pesquisadores algumas das melhores práticas de segurança viária no mundo e o ponto de partida para que tracem suas próprias estratégias para evitar acidentes e fatalidades no trânsito.
Organizado pelo Fórum Internacional de Transportes (ITF, na sigla em inglês), o trabalho foi vencedor da edição de 2017 do prêmio Road Safety Awards e chama atenção para os resultados positivos da adoção de uma abordagem segura para o sistema viário.
  • Na Suécia, nenhuma criança morre desde 2008 em acidentes envolvendo bicicletas.
  • Na Europa, 88 cidades com mais de 100 mil habitantes não registraram nenhuma morte no trânsito no período de um ano.
  • Outras 16, entre aquelas com mais de 50 mil habitantes, já atingiram a marca de cinco anos sem mortes no trânsito.

Um sistema seguro precisa considerar o fator humano

Conforme indicado pelo estudo, cerca de 30% dos acidentes graves são causados por comportamento arriscado ao volante – a maioria é resultado de erros de percepção das pessoas. E, em grande parte dos casos, nosso sistema viário, da maneira como ainda é estruturado em muitos países, contribui para que esses erros aconteçam.
Por exemplo: de maneira geral, é permitido por lei em diversas partes do mundo que um carro trafegue a 100 km/h, mesmo na chuva e a poucos metros do veículo em frente; sem considerar se os motoristas entendem os riscos que estão de fato correndo. Outro exemplo reside no fato de que o corpo humano possui limites biomecânicos e não foi feito para viajar a altas velocidades. Costumamos temer a altura naturalmente, mas não temos as mesmas precauções em relação às altas velocidades. Sem falar nas distrações a que qualquer pessoa está sujeita ao dirigir – música, celular tocando, outros passageiros, além do que acontece do lado de fora do veículo.
Pessoas cometem erros – e podem cometê-los a qualquer momento. Um sistema de segurança viária efetivo precisa levar isso em consideração. O conceito de Sistema Seguro da Visão Zero é baseado na premissa de que os acidentes de trânsito são previsíveis e possíveis de prevenir e de que é possível atingir o zero – nenhuma morte ou ferimento sério em acidentes. Para chegar lá, contudo, é necessária uma mudança de paradigma profunda na maneira como a questão da segurança viária é encarada nas cidades – e, consequentemente, na forma como são pensadas as estratégias e soluções. Em síntese, um Sistema Seguro fundamenta-se em quatro princípios:
  1. Pessoas cometem erros que podem levar a acidentes.
  2. O corpo humano tem uma capacidade limitada de resistência a colisões.
  3. A responsabilidade pelos acidentes deve ser dividida entre aqueles que planejam, constroem, gerenciam e usam tanto as vias quanto os veículos, e medidas preventivas devem ser tomadas após um acidente para prevenir que outros aconteçam em decorrência das mesmas falhas.
  4. Todos os componentes do sistema viário devem ser fortalecidos para que se seus efeitos se multipliquem; assim, se uma parte falhar, os usuários do sistema ainda estarão protegidos.
Ao planejar os diversos setores do sistema de transporte de forma que considerem as falhas humanas, é possível quebrar com um padrão obsoleto que reputa a responsabilidade pelos acidentes aos condutores e/ou às vítimas. A abordagem proposta pelo Sistema Seguro envolve uma ampla combinação de intervenções, incluindo reforço na fiscalização, desenho mais seguro das vias e do entorno, tecnologias veiculares mais avançadas e responsabilização pelos acidentes. Dito de outro modo, na concepção de um Sistema Seguro, as mortes em acidentes não são um preço inevitável a ser pago devido às altas taxas de motorização. Ao contrário: ao considerar qualquer morte como uma falha inaceitável no modo como o sistema viário é concebido, a abordagem propõe a adoção de medidas capazes de evitar essas mortes.

Fonte:http://thecityfixbrasil.com/2017/01/09/visao-zero-e-possivel-zerar-as-mortes-no-transito/

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Comemoração responsável em defesa de um trânsito mais seguro

Por Roberta Torres

Com a proximidade das festas de final de ano, a agenda fica repleta de comemorações. Afinal, chegam as confraternizações com os colegas de trabalho, encontros para rever os amigos de infância e as reuniões com familiares. Esses momentos sempre contam com bebida alcoólica no cardápio, o que aumenta a preocupação quanto à conduta arriscada daqueles que insistem em combinar álcool e direção. Estima-se que cerca de 54% dos motoristas brasileiros bebem e dirigem, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).

Levantamento do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) mostra que dezembro é o mês com o maior número de mortes no trânsito em estradas federais. A pesquisa considerou o período entre 2007 e 2014, quando a média nos meses de dezembro de cada ano foi de 818 mortes. Enquanto isso, o mesmo indicador aponta para uma média de 666 óbitos ocorridos ao longo de cada um dos demais meses. O ONSV considerou que essa alta no último mês do ano não se justifica apenas pelo crescimento da quantidade de veículos em circulação. A adoção de comportamentos de risco, como misturar álcool e direção, também é um dos fatores que explica essa estatística. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) revela que 8% dos acidentes com mortes nas estradas federais são ocasionados pela ingestão de álcool.
 
A preocupação com a conscientização dos condutores quanto a esse comportamento de risco é tanta que desde o início de novembro o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê uma punição mais severa para quem for flagrado dirigindo embriagado, a partir da regulamentação da infração quanto à recusa ao teste de alcoolemia pelo condutor. Agora quem insistir em não fazer o teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa comete infração gravíssima (perdendo 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação – CNH), recebe multa de R$ 2.934,70, e ainda perde o direito de dirigir pelo período de 12 meses. Além disso, a CNH será recolhida pela autoridade e o veículo retido. Em caso de reincidência dentro de 12 meses, a multa dobra.

Para construirmos um trânsito mais seguro não basta apenas alterar o CTB. É necessário também trabalhar na ponta inicial do processo: a formação do condutor. Por isso, medidas preventivas e educativas como a adoção do simulador de direção veicular funcionam como importantes ferramentas de preparação para os futuros motoristas. Isso porque o equipamento possibilita vivenciar, com segurança, os reflexos do álcool no organismo de quem está na direção, ao oferecer a função de alcoolemia em uma das cinco aulas previstas pela legislação. É uma forma de não apenas alertar, mas de demonstrar como se perde a visão periférica e como a noção de profundidade é afetada pela ingestão de álcool.

Por essa ser uma época do ano em que as pessoas costumam confraternizar, em meio a um clima de maior harmonia e sensibilidade, por que arriscar a própria vida, a de quem amamos e a de terceiros, com um comportamento irresponsável? Celebre a vida de forma consciente e não transforme momentos de celebração em tragédia. Pense nisso!



domingo, 10 de julho de 2016

Simulador de direção é tecnologia em favor de um trânsito mais seguro



Diante das recentes discussões acerca das reações da sociedade quanto à obrigatoriedade do simulador de direção veicular para a formação de novos condutores, sinto-me na obrigação de cumprir meu papel como especialista em segurança, educação no trânsito e formação de condutores e ajudar a disseminar informações corretas e embasadas. Por isso, destaco que contar com esse equipamento não é uma decisão sem fundamento e muito menos ao acaso. É uma questão que une tecnologia e conteúdo pedagógico em favor de uma formação melhor, resultando em um trânsito mais seguro e que busca preservar vidas.   

E já que falamos no esforço em melhorarmos esse cenário, vale voltarmos um pouco ao passado e às polêmicas geradas no Brasil a partir de mudanças na legislação de trânsito, que demandaram aos motoristas incorporar novos hábitos, o que sempre traz resistência e necessita de um trabalho educativo para ser assimilado. Um desses exemplos foi a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, instituído em 1994 no país. Pesquisas internacionais apontam que a utilização dele reduz em até 40% as consequências fatais em um acidente.

A necessidade de utilizar o dispositivo foi questionada quanto à sua eficácia, mas aos poucos a sociedade entendeu que se tratava de uma medida que tornava mais segura a viagem, tanto que hoje passou a ser aceito e, principalmente, colocado em prática. Porém, nesse caminho foi preciso paciência e muito esforço para que a mensagem fosse incorporada e só agora, mais de duas décadas depois, é um ponto consensual quando o assunto é a segurança na condução do veículo.

Também vale lembrarmos do uso obrigatório de cadeirinhas para o transporte de crianças de até 7 anos, que passou a ser obrigatório no Brasil em 2010. Esse foi outro paradigma quebrado e as estatísticas apontam não haver dúvida de sua eficiência. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a utilização correta da cadeirinha reduz em 70% a possibilidade de morte das crianças em um acidente. Esse dado reforça que, além de ser um cidadão consciente e que respeita a lei vigente, ao utilizar o dispositivo o condutor demonstra também um compromisso com a geração futura ao preservar a vida de seus filhos.
Esses são dois exemplos de mudanças envolvendo os hábitos dos motoristas brasileiros que também sofreram rejeição à época em que foram implantados, assim como o simulador de direção na atualidade, mas que hoje são reconhecidos como itens indispensáveis de segurança, tendo seus papeis reforçados com o apoio das estatísticas citadas. Então, por que não nos permitirmos aceitar a tecnologia do simulador como aliada na busca pela melhor formação de nossos motoristas e, consequentemente, por um trânsito mais seguro?

Sou proprietária de um Centro de Formação de Condutores (CFC) em Belo Horizonte, uso o simulador há quase dois anos e venho acompanhando no dia a dia como ele se mostra eficaz em busca de seu propósito. As aulas na ferramenta são importantes porque contribuem para que o aluno chegue preparado ao momento em que vivenciará a prática de direção em um veículo e consiga reagir de maneira correta e segura ante aos desafios do cotidiano no trânsito. É nítida a diferença entre um aluno que começa as aulas de direção tendo passado pelo simulador e aqueles que não passaram.

O simulador é a oportunidade de quem nunca conduziu um veículo aprender as primeiras noções básicas de manuseio. Além disso, permite que não só conheça os comandos de um carro necessários para uma condução segura, como também vivencie como é dirigir em dias com neblina, chuvosos, em situações de aquaplanagem, em rodovias, serras ou, até mesmo, simulando de que forma o álcool afeta os reflexos do motorista e eleva os riscos de acidentes. Tudo isso com segurança no processo de aprendizado, o que não seria possível simular durante as aulas práticas para ter a tão sonhada Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Em resumo, o aprendizado no simulador só traz benefícios, educando o futuro motorista, acelerando o processo de aprendizagem dele e ainda servindo para que os condutores novatos desenvolvam as habilidades de direção fundamentais antes de assumir a direção de um veículo e sair às ruas. Diante desses avanços, é preciso mostrar disposição em evoluirmos em nossas atitudes e quebrarmos paradigmas, sempre colocando a segurança em 1º lugar!

Roberta Torres

Especialista em Segurança e Educação no Trânsito

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