quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ser Professor de um Centro de Formação de Condutores

O emprego de profissionais bons para atuar como instrutores é uma necessidade comum dos Centros de Formação de Condutores. Mas o que vemos, com freqüência, são treinamentos ministrados por profissionais com experiência comprovada na parte técnica, mas que desconhecem como ensinar.


As empresas que buscam produtividade e qualidade em seus serviços necessitam priorizar a preparação de seus instrutores para que eles possam, nos treinamentos, conseguir os resultados necessários. O profissional que ensina precisa aprender como as pessoas aprendem, para que possa decidir o que ensinar e o como ensinar. Mas, antes de tomar essas decisões, é preciso ter em mente algumas considerações sobre o ensinar e o aprender.


O ensinar vai além “da boa vontade do profissional” ou “do seu grande conhecimento técnico". E o aprender exige do aluno muito mais do que “a vontade de ..." ou “a necessidade de ...". Tanto quem ensina quanto quem aprende tem responsabilidades no processo ensino-aprendizagem.


Sendo a aprendizagem um processo pessoal e interno, as pessoas aprendem, não apenas pelas explicações que recebem, mas, principalmente, pelas oportunidades que lhes são oferecidas para praticar o que lhes está sendo ensinado. Esta, portanto, é a razão da importância das atividades realizadas durante a instrução: elas irão criar esta oportunidade para o aluno praticar, além de permitir ao instrutor verificar se o que foi explicado foi aprendido. Estas atividades são meios facilitadores da aprendizagem, e devem ser muito bem pensadas pelo instrutor ao planejar as aulas que irá ministrar. É isso mesmo! Planejar!


Ao instrutor cabe a responsabilidade não só de transmitir conhecimentos, como também de facilitar o processo de aprendizagem. O velho paradigma da Educação “eu ensinei, mas o aluno não aprendeu porque não quis" deve ser substituído com urgência em prol da aprendizagem. Experiências mostram que “se o professor ensina, o aluno aprende" (logicamente, desde que atendidas as condições básicas para que a aprendizagem ocorra: o aluno querer aprender; domínio dos pré-requisitos e planejamento criterioso dos eventos que serão desenvolvidos em situação de ensino).


Quando o aluno não aprende, não devemos trabalhar com acusações improdutivas: “culpa do aluno que...", ou “culpa do professor que ... ". Quando os resultados previstos não são atingidos, algo não ocorreu como deveria ou da parte do aluno ou do professor ou de ambos. O importante é identificar o que deve ser replanejado para que os resultados se tornem satisfatórios para todos. “O que fazer para facilitar a aprendizagem do treinando?". Aí está um dos grandes desafios para o instrutor.


Uma das causas que tem levado muitos treinamentos a resultados aquém do esperado é que o profissional escolhido para ministrar um treinamento, com freqüência, privilegia o conteúdo que deseja transmitir e não a aprendizagem.


A preocupação primordial do instrutor deve ser com os resultados que deseja obter com aquela situação de ensino. Só a partir daí, é que ele deve determinar as estratégias para proporcionar a aprendizagem e avaliar se a mesma está ocorrendo. A Empresa necessita de instrutores que estejam preocupados em proporcionar mudanças de desempenho.


Devemos agir como propõe o processo ensino-aprendizagem: o ensinar e o aprender devem ser trabalhados em conjunto, isto é, instrutor e aluno trabalhando para alcançar os resultados esperados.


Uma certeza nós temos: as empresas modernas e competitivas precisam, cada vez mais, utilizar seus profissionais para disseminar conhecimentos. Ensinar, porém, não permite amadorismos. O profissional que vai atuar como instrutor necessita receber fundamentos de como ensinar, para embasar sua prática. Um instrutor que saiba o que fazer, como fazer e porque fazer é necessidade urgente e imperativa, para que os resultados dos treinamentos nos Centros de Formação de Condutores sejam mais eficazes.




Publicado no jornal O Globo em 27/04/1997 
Adaptação: Roberta Torres

3 comentários:

  1. bom dia!adorei o texto!mas infelizmente no dia de hoje os professores nao agem assim.a meioria deles sentam e seu banco leem o livro de legislaçao e mostram em sua tv de plama de 42 polegadas um programinha com varios desenhos e querem que os alunos saiam dali com tudo decorado ou entao que termine de decorar em casa!queria muito que as auto escolas tivessem um compromisso com a vida e ensina fosse um prazer,fazer com amor,mesmo pois ali fora no transito esta as pessoas que amamos e se continuar assim vamos cada vez mais ter mortos no nosso transito!pense mais em seus alunos e menos em dinheiro,dinheiro e consequencia de um trabalho bem feito!!

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  2. Concordo com o que diz o texto. E gostaria de ressaltar algo que foi mencionado: “se o professor ensina, o aluno aprende" (logicamente, desde que atendidas as condições básicas para que a aprendizagem ocorra: o aluno querer aprender; domínio dos pré-requisitos e planejamento criterioso dos eventos que serão desenvolvidos em situação de ensino). Infelizmente hoje na eduação em geral, há uma tendência de culpar o professor por todos os maus resultados (digo isto por experiência), e se esquecem que bens e maus resultados são decorrentes de uma série de fatores. Acredito sim, que precisamos de profissionais pedagogicamente formados para atuar nos CFCs. Quando ensinamos, precisamos ser capazes de identificar, por exemplo, diferentes estilos de aprendizgem, principalmente em turmas tão diversificadas como as de um Curso Teórico/ Técnico de CFC, ou mesmo de Prática de direção. Não devemos dar tratamento igual a pessoas diferentes. Porém, também é preciso mudar a culura de quem quer aprender. A maioria de nossos alunos não quer de fato aprender, mas somente "tirar carteira". Vejo que esta concepção precisa mudar urgente, para que o processo ensino-aprendizagem seja completo e eficaz, e para que através disto, a violência do nosso trânsito diminua! Precisamos de educação no sentido mais completo da palavra!

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  3. O texto mostra claramente que, nos profissionais dos Centros de Formação de Condutores temos que nos conscientizarmos da responsabilidade em fazer bem feito e dar resultado, assinar embaixo de tudo o que se faz. Ter compromisso com o país.
    Ser gente que corre atrás do sucesso, assume riscos e tem vontade de vencer desafios e fazer a diferença.
    Usar a educação como elemento transformador, a educação alavanca a capacidade das pessoas de fazerem a diferença.
    Ética. Sem ética não há reconhecimento. Caráter e ética estão na base das sociedades bem-sucedidas.
    Trabalho e liderança causam impacto e têm efeito multiplicador. Essa combinação é fonte do progresso da sociedade. As pessoas fazem a diferença e o impacto se torna possível por meio do esforço pessoal.

    “Qualquer atividade humana possui uma parte teórica e outra prática, um conhecimento técnico bipartida: saber o que é e saber fazer são coisas diferentes. Como exemplo, veja a construção de um prédio: há coisas que apenas o engenheiro poderá fazer (cálculos, etc.), mas outras há onde um mestre-de-obras é insubstituível. Conhecer as regras de produção de uma tese e as regras de redação não são garantia de que a tese será boa.”

    “Um aluno que saiba 50% da matéria e 20% de como usá-la em provas/exames práticos e transmiti-la terá mais sucesso do que aquele que sabe 100% da matéria, mas não sabe as técnicas para transmitir esse conhecimento para o examinador.” (William Douglas)

    Então ... cabe a nos profissionais descobrirmos o caminho das pedras e ensiná-los aos nossos alunos.

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