segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Polícia começa a testar aparelho que detecta insulfilm irregular


Um dos acessórios mais vendidos desde 1995, as películas automotivas foram regulamentadas em 2007, mas só agora poderão ser devidamente fiscalizadas, ainda que de maneira tímida.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Itapecerica da Serra (a 34 km de SP) comprou dois medidores de transmitância luminosa, os primeiros do Estado.
Os aparelhos que aferem a transparência dos vidros com película devem estrear nas blitze de fim de ano da rodovia Régis Bittencourt, afirmam os agentes federais consultados pela Folha.
Em comunicado, porém, a PRF não confirma o local nem a data das blitze, argumentando que ainda finaliza a incorporação dos dois equipamentos ao órgão, que administra 62 mil quilômetros de estradas pelo país.
A tendência é que as fiscalizações se estendam também ao perímetro urbano.
Consultada, a Companhia de Policiamento de Trânsito de São Paulo diz que "estuda" a compra e a real eficiência do medidor, que custa R$ 8.500, nove vezes mais que um bafômetro.
Quem for flagrado guiando um carro com película mais escura do que o permitido (veja os limites no quadro ao lado) poderá receber multa grave (R$ 127,69 e cinco pontos) e ter o veículo retido até a retirada do filme ilegal.
Para José Oka, supervisor de pesquisa do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária), os vidros escuros reduzem a percepção de obstáculos e de pedestres por parte do condutor, principalmente à noite (e com chuva).Tanto que o Cesvi iniciará em 2011 um estudo para medir o impacto provocado pelas películas no trânsito. Ainda assim, as novas tecnologias para o insulfilm aumentam a procura em lojas.
"Os mais modernos são os filmes antivandalismo [resistentes a pedradas] e os que filtram raios UV e infravermelhos, que reduzem a temperatura da cabine em até 9C", diz Elges Greco, da 3M.
Eles custam de R$ 290 a R$ 1.000 (em todos os vidros, o do para-brisa é transparente) e variam com a marca.
Mas, para Fábio Martins, 36, dono de um VW Polo com vidros bem pretos, o início da fiscalização não o assusta. "As películas escuras inibiram os ladrões de me assaltarem. Ainda prefiro correr o risco de ser autuado", diz.
A lei exige que uma chancela seja grafada na película informando a transmitância do insulfilm em cada vidro. Só que não há fiscalização nas lojas, e o instalador pode escolher o selo dentro do permitido para aquele vidro, independentemente da translucidez real da película.
Francisco Castro Junior, presidente da Associação nacional dos instaladores de insulfilm, admite que a prática é comum, mas diz abominá-la. "O cliente pede películas mais escuras, mesmo sabendo que são ilegais. Deveria haver um termo de responsabilidade isentando o instalador", diz Castro.
Hoje, a chancela virou "brinde" do insulfilm escuro.

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